Líder Supremo do Irão promete "resposta firme" em caso de ataque
O ayatollah Ali Khamenei garantiu esta segunda-feira uma "resposta firme" por parte de Teerão caso o país seja alvo de um ataque. No domingo, o presidente norte-americano, Donald Trump, ameaçou com “bombardeamentos” caso não seja possível alcançar um novo acordo sobre o programa nuclear iraniano.
“Estão a ameaçar provocar danos. Se for esse o caso, haverá certamente uma resposta firme do Irão”, asseverou o ayatollah.
O líder supremo do Irão alertou ainda para os perigos de “sedição” dentro do país.
"A inimizade dos EUA e de Israel sempre existiu. Ameaçam atacar-nos, o que não achamos muito provável, mas se nos fizerem algum mal, certamente que vão receber um forte golpe recíproco", afirmou Khamenei.
Também em reação a estas ameaças, o ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros condenou as palavras de Donald Trump.
“Um chefe de Estado que ameaça abertamente o Irão com ‘bombardeamentos’ está a fazer uma afronta chocante à própria essência da paz e da segurança internacionais”, escreveu Esmail Baghai, na rede social X esta segunda-feira.
Acrescentou que "a violência gera violência, a paz gera paz. Os EUA podem escolher o seu rumo e aceitar as consequências".
É a resposta de Teerão às ameaças de Donald Trump em entrevista à NBC no último domingo. O presidente norte-americano garantiu que “haverá bombardeamentos” no Irão perante a ausência de um novo acordo sobre o programa nuclear.
“Se não assinarem um acordo, haverá bombardeamentos”, prometeu o líder norte-americano, reiterando as ameaças que já tinham ficado patentes numa carta endereçada à liderança iraniana no início de março, dando dois meses para que uma decisão fosse tomada.
Nos últimos dias, o Irão já tinha respondido a esta missiva através do seu presidente, Masoud Pezeshkian, que explicou que Teerão não entraria em negociações diretas com Washington, mas estava disposto a prosseguir as conversações indiretas.
Entretanto, o embaixador suíço em Teerão, que representa os interesses dos EUA no país na ausência de relações diplomáticas entre os dois países, foi convocado na segunda-feira pelo Ministério iraniano dos Negócios Estrangeiros.
O entendimento, assinado há dez anos, ainda durante a Administração Obama, previa o levantamento de sanções em troca de um maior controlo do programa nuclear iraniano. À data da saída dos Estados Unidos, Teerão cumpria com os termos do acordo, mas acabou por ultrapassar os limites do mesmo um ano após a retirada de Washington.
Para além da decisão de sair do acordo nuclear, o primeiro mandato de Donald Trump ficou marcado por outros momentos de enorme tensão com o regime iraniano, com destaque para a decisão dos Estados Unidos em ordenar a morte do principal general do país, Qassem Soleimani, em janeiro de 2020.